Vejo mães angustiadas procurando a tão sonhada escola para seus filhos. Filhos esses que são ‘especiais’, ou melhor, na visão dos pais babões são verdadeiros gênios. Querem uma escola forte! Que com quatro anos o pequeno ‘Einstein’ saiba ler e escrever português, inglês e, se possível, uma nova língua que alguma Universidade famosa – pode ser Harvard – disse que será a ‘língua do futuro’! Sim, os pais querem que o filho saia na ‘frente’. E, eu me pergunto, qual a diferença se aprender com quatro, sete ou oito anos? Mas a ‘busca da escola forte’ continua…

Pais que se baseiam em ‘ideias de um futuro promissor’, quanto perigo!!! Pronto, acharam a ‘perfect school’.

Depositphotos_4823231_originalClaro que o moleque tem que sair bi ou trilíngue do infantil. Então, o pequeno gênio, começa a frequentar a escola tão almejada pelos pais. E, o que acontece na maioria das vezes? A criança realmente aprende tudo mais cedo, mas perde a riqueza do que está por trás. Primeiro, os pais esperam que a escola faça o que na verdade é a obrigação deles.
Na maioria das vezes, o que a criança aprende na escola, não tem nada a ver com o que ocorre em casa, e não digo de matérias, mas sim de estrutura.
Um exemplo básico: o pequeno está em fase de alfabetização, ou seja, tarefa árdua de ‘cair e levantar’ o tempo todo. Treinos homéricos para aprender o que será usado o resto da vida. Os pais, que pagam a ‘escola forte’, acham que é obrigação da instituição que escolheram ensiná-lo. Claro que é obrigação da escola, mas os pais também têm um ‘trabalho’ tão importante quanto o da professora. O que está por trás da leitura? O que a criança ‘ganhará’ com isso? E não digo dinheiro como recompensa, afinal é obrigação do moleque estudar e ponto final.
Mas, digo, quais as ‘riquezas’ em aprender a ler? Esse incentivo vem como complementação de casa, dos pais mostrarem essas ‘riquezas’. E, mais, os pais leem? Têm paciência de esperar o pequeno demorar meia hora para ler um livrinho de 20 páginas? Aguçam a vontade da criança quando está quase desistindo? Essa criança brinca ou tem uma agenda de ‘futuro empresário’? Ela aprende a magia do que está por trás das matérias ou ela só está preocupada com o Enem, aliás esse ser aprendeu a estudar ou só decorou?
E, mais o que estão ensinando de ‘ideologia’? Seria a mesma de casa?
O ‘papo’ que a criança trás da escola lhe agrada? Você ensina para o pequeno que tudo é bullying?
Aliás isso virou uma chatice sem fim. Essa criançada está crescendo como ‘vítimas traumatizadas’, onde tudo ficam ‘dodoizinhos’.
O que vejo nessas ‘escolas fortes famosas’ é que o que se ensinam de ‘política’ ou o modo de encarar a vida é – uma realidade tão absurda – que na maioria das vezes os pais olham para  seu filho como um ser que fizeram lavagem cerebral. E os valores, religião, seja lá o que você quiser chamar? Seria uma extensão do que acontece em casa? O que adianta ensinar matérias, línguas as mais diversas, sendo que o pequeno não sabe quem ele é, não tem uma base, exemplos em casa? Cuidado, tem pontos importantes que é obrigação dos pais!
Quando procuramos uma escola para o filho, é importante ver se o mesmo terá a oportunidade e segurança de explorar o que ele é capaz, respeitando cada fase.
Que os ‘sentidos’ sejam aguçados, desde a mais tenra idade. Que corram na época certa, sujem-se de terra. Usem fantasia. Vivenciem experiências. Percam aula porque estavam na biblioteca, tomem advertência. Se frustem. Respeitem o sinal. Abracem a professora. Vibrem com o amigo. Aprendam que aquele ‘amigo’ nem é tão ‘amigo’ assim. Aprendam a se distanciar. Aprendam que o treino é essencial. Aprendam a respeitar os outros  e entender que todos têm suas limitações. A convivência – saber que nem todos são bons em tudo, e que isso também não é desculpa para acomodação. Entendam que quem faz algo acontecer é ele mesmo. Que não adianta ter uma estrutura louca, se não sabe ‘usar’ as ferramentas. Usar o que ‘lhe cabe’, que foi aprendido na escola – o que encontrou em casa uma base solida – e ‘descartar’ o que não ‘lhe cabe’. Enfim, aprender a ser ‘autodidata’ na matéria mais importante chamada: VIDA.

Nurya Ribeiro

 

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