Viver em um meio pouco ‘habitado’, nos dá a oportunidade de encontrar o que nos pertence.

A convivência com sobrinhos adolescentes no período de férias nos trouxe renovação em diversos aspectos, entre eles, músicas e gírias.
E eis que um deles solta: “Fulano de tal é Nutella”.

Desculpe, se para alguns que estão lendo esse texto isso já é antigo mas eu, no meu mundo de filhos pequenos, não tinha a mínima ideia do que significava isso.

Resumindo, você pode ser Nutella (aquela pessoa bocó, jacú, fictício, forjado, adora ostentar) ou raiz (o f…da história) pessoa autêntica. Eu sei que o tal creme de avelã é uma delícia, mas na gíria o “legal” é ser raiz.

E, num dia maravilhoso, vamos a uma cachoeira perto de onde estávamos. Logo no início da trilha umas pessoas plantavam mudas de árvores. Um rapaz pergunta para mim se eu desejava plantar uma. Junto com minha filha plantamos nosso primeiro Ipê. Que emoção.

A energia da natureza é algo transformador. Plantar uma árvore é valorizar e dar continuidade a algo que Deus criou. Sim, nossa parte, obrigação e privilégio nesse mundo. E, vamos adiante escalamos, passamos em pontes, respiramos um ar que na cidade não existe, ouvimos o barulho da floresta, e eis que a primeira cachoeira surge com toda sua força e beleza.

Crianças e adultos ficam maravilhados. Me pergunto: “Se isso nos toca tanto, com certeza faz parte da nossa essência”. Entramos, água gelada em contato com a pele, aquela força descomunal capaz de levar qualquer coisa pela frente, e dentro de mim uma emoção doida em ver como D´us nos permitiu aproveitar tudo de Sua criação. E, por que alguns não aproveitam? Por que diante das oportunidades, muitos se colocam em mundos que não pertencem, só porque uma sociedade medíocre ‘fala’ que é certo?

Por que alguns pais abaixam a cabeça para modismos que dentro da sua casa não têm nada a ver com seu estilo de vida? Por que permitem trazer para seu lar algo totalmente contrário ao que acreditam? Talvez por não sustentar aquilo que realmente são! Isso é difícil, porque as vezes chocam o mundo de mentira que nos cerca.

Vejo a alegria de todos naquele paraíso. Que renovação de energia. Nenhum parque fora do país seria capaz de nos propiciar uma experiência dessa. Não tenho coragem de falar que seja um passeio simples diante de tanta grandeza e espetáculo da natureza. Passeio transformador. E, lembro das gírias dos meus sobrinhos e entendo o que é ser raiz! É, ser o que se é, sem ‘artifícios’, sem dedos, sem ‘precisos desnecessários’, é ser pés no chão, é fechar os olhos para um mundo que não me pertence. É curtir um mundo que me faça crescer, respeitando o meu eu.

Que sejamos sempre ‘raízes’!

Nurya Ribeiro

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