Sempre queremos o nosso bem, mas muitas vezes não sabemos o preço que pagaremos pelo ‘tal bem’.

Diga-me com quem andas que te direi quem és! A famosa frase nos revela – tanto – quem somos. Mas, também é, ou pode ser, um sinal para pararmos e pensarmos para onde iremos, ou queremos, nos meter. Já percebeu que as pessoas que convivem pegam hábitos, jeitos e trejeitos do seu meio e pessoas ao redor?!
Pois é, depois que ‘entramos’ em um grupo, ganhamos força, fazemos aquilo que sozinhos seria quase impossível.
Felizes daqueles que entram em ‘grupos saudáveis’. Eles crescem, viram gigantes, adquirem bons hábitos, e por ai vai. Mas, infelizes daqueles que caem em armadilhas. Claro, que o mal caminho de início sempre lhe parece bom, ninguém vê o abismo, são enganados por horizontes lindos, até que um dia ao pisar não há mais chão, e a queda é inevitável.
Esses – os que foram ‘encantados’ pelo tal grupo – podem até perceber algum perigo de início, mas a ‘tentação’ é tão grande que justificam que não ‘farão isso ou aquilo’, que terão controle de si mesmos.

Mas, a situação vai ficando insustentável. Quando se dão conta, percebem que estão em terreno de peru e que nunca conseguirão voar. Foram enganados, viram o brilho e pensaram que era ouro, mas só encontram metal.
Pessoas são arrastadas por ‘modas’, e depois que passam deixam seus destroços. Como uma roupa que ‘saiu de moda’ – a paixão arruinou casamentos, a vontade própria, perdeu o sentido, e as marcas muitas vezes são para sempre.
Felizmente, nosso livre arbítrio nos dá o passaporte para o destino que desejamos, mas nem sempre é saudável. Desde a nossa infância queremos nos sentir pertencentes a algo. Queremos ser da turma popular, cool, e para isso nos vestimos, falamos o que a turma ‘permite’, e vamos nos transformando – e, muitas vezes, nos esquecendo. Depois da roupa vem o celular, o tablet, as viagens e por fim chegamos com a seguinte frase para os – pobres – pais: “Mas todo mundo vai, ou todo mundo tem”. Todos nós que fomos crianças, sabemos que isso era mentira para conseguir o que queríamos. Mas hoje, a maioria dos pais, fica preocupado com o ‘deslocamento psicológico’ dos filhos, e acaba cedendo ao apelo – barato – do ‘todo mundo tem/vai’. E, diante a tudo isso, a criança, vai se anulando e não aprende o poder do falar -não- diante a ‘grupos’ onde – futuramente –  serão arrastados, e mais para frente ‘se perder’.

Nós pais, perdemos grandes chances em meio à ‘problemas’, que na verdade são grande oportunidades para as crianças aprenderem a decidir. Aliás problemas nos colocam em lugares certos para aprender. Pena que na nossa cultura – e da maioria do mundo -, o problema é visto como um inimigo, – quase que – intransponível.

A cultura do ‘queremos que você seja feliz’, abriu uma porta para a sensação fácil e sem limites. Para uma vagabundagem compreensiva. Claro, que queremos que os filhos sejam felizes, isso é um pleonasmo. Mas, educar crianças em cima disso é como perguntar se ela quer chicória ou chocolate. Ensinar a criança que a vida exige escolhas, e que os ‘nãos’ são ingressos para serem livres – para voos consciente, os farão cidadãos verdadeiramente felizes, e aptos para edificar o mundo. Porque a felicidade é, e tem que ser – funcional. Com poder de escolhas para serem pertencentes a meios/grupos onde o valores sejam nobres, onde o otimismo seja – palpável – em erguer um mundo justo para todos, com respeito e amor.

Nurya Ribeiro

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