Pessoas ‘morrem de fome’, espiritualmente falando, em frente à grandes banquetes.

Correrias do dia a dia, prioridades onde – muitas vezes – o ‘ganha pão’ vem acima da família, e porque não dizer valores. O ‘preciso’ subiu à cabeça e ficou maior que o eu/nós. E a espiritualidade, que nunca foi ensinada, ou melhor, vivenciada dentro de casa, no caminho ficou. Uma corrida contra a correnteza de algo nada natural, afinal somos seres espirituais tendo uma experiência humana. Seria como tirar o peixe fora d’água e dar o melhor cobertor para aquece lo. Desculpe, mas ele morreria ainda que essa fosse a sua melhor intenção.

Um anoréxico, depois de um tempo da doença, não sente mais fome. E, mesmo assim morre de ‘fome’. Pessoas estão morrendo de fome espiritual, e nem sentem mais. A conexão com o divino foi cortada faz muito tempo. Mas D’us, como um bom pai, sempre estará de portas abertas. A conexão pode ser ‘re-feita’ a qualquer momento. E não digo como algo religioso, religião há infinitas e algumas até matam em nome de algo que nem  ao menos conhecem ou conheceram.

A espiritualidade é o alimento da nossa alma, o sentido real da vida, e o porque de estarmos aqui. A vida seria muito pobre e medíocre se tivéssemos que ‘só’ trabalhar, ir ao banheiro, e dormir. E, na boa, nunca seriamos capazes de ‘fazermos’ seres humanos tão perfeitos e diferentes.

A espiritualidade nos faz ver a beleza da vida, e aproveitar tudo que tem no Universo. Mas isso é um exercício constante, de intimidade. De buscar aquilo que nos aguarda, dia a dia. Não é fácil. Achamos que como um passe de mágica sentiremos algo extraordinário. Podemos até sentir, mas não foi para isso que nascemos. Nascemos para experimentar algo único de intimidade, com quem nos fez, para evoluirmos – e isso não quer dizer pisarmos em nuvens como ‘vendem’ por ai.

Podemos até tentarmos viver em um ambiente que não é nosso. Aliás, tentamos preencher nossas almas com o combustível errado: excesso de roupas, comidas, futilidades – e com isso nos afundamos a cada dia. Mas, o mais lindo é que o caminho, ainda que não enxergamos, continua livre para nos conectarmos e descobrirmos o motivo de levantarmos a cada dia, e começarmos a enxergar o que é importante.

Tem um provérbio que diz: “Quem é rico? Aquele que é satisfeito com tudo que D’us lhe deu!”. Que possamos nos contentar com aquilo que nós temos materialmente – ainda que pouco, e entender que a riqueza verdadeira cabe em um abraço, está na volta de todos para casa salvos, no alcance do nosso braço, na respiração fácil, no sono tranquilo, no mergulho do mar, na brisa do rosto, no levantar sem dor, no eu te amo ‘desprevenido’, no agradecimento de uma criança, nos pais e filhos por perto, no tocar da música preferida no rádio, no desejo -realizado- em comer algo, no amor pelo próximo sem julgamentos, nas coisas que o dinheiro não consegue comprar e na paz e entendimento de quem sou, ao escutar no mais profundo e segredo, do nosso coração a voz de D’us.

Nurya Ribeiro

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