A beleza da vida está em aproveitar seu tempo.

Vivemos em uma ‘ditadura’ de beleza, e por que não dizer, da vida. Tratamentos vendem rejuvenescimento. Não, ninguém precisa embrulhar. Isso é falta de respeito consigo mesmo. Mas exagerar e perder expressão para ‘fingir’ uma idade que não é sua, é surreal. E, o mais triste é deixar de viver o que temos para hoje, para tentar recuperar uma fase que já passou. Antes de prosseguir é importante falar que estamos no lugar exato que precisamos estar para nossa evolução. Ninguém acorda amanhã. Estamos no aqui agora, com toda bagagem necessária para nosso desenvolvimento. Mas o mundo ‘vende’ um padrão de juventude, vida mentirosa, onde no outdoor mostra moças com cabelos esvoaçantes dando um ar de liberdade – ‘donas de si’. Cai entre nós, quem na juventude conseguia ‘entender’ sobre liberdade? Só, conseguimos entender o que é a ‘tal’ liberdade quando encontramos a maturidade. E, alguns quando chegam na maturidade querem uma juventude mentirosa. Ah, por favor, isso é um paradoxo! Não existe! No momento em que deveríamos dar um banho de exemplos para as garotas -em sermos nós mesmas- Alguns sucumbem ao modismo.

Então por que não fazer as pazes com o tempo? Aliás o tempo é libertador. Amar o corpo com suas marcas é um caminho de encontro consigo mesma. O sapato só é confortável, quando já foi moldado ao seu próprio pé. O prazer só é possível quando encontramos o relaxamento, esse que nos permite ao conhecimento. A roupa, cai como uma luva, quando aprendemos a nos amar e a valorizar, o que a moda não é capaz de ver. A maturidade nos dá aval para olhar as coisas na realidade. Aquelas que querem correr contra o tempo, não conseguem encontrar a paz dessa sensatez. Aliás o amadurecimento só é possível se deixamos cada coisa no seu tempo e isso exige um ‘abrir mão’ do que não nos pertence mais. Sim, tudo tem seu tempo. Pedir para uma fruta madura, voltar a ser verde, é impossível. E, na época que ela está suculenta, pronta para a sua finalidade, por que ela voltaria a ser algo nada comestível? Como sempre a natureza, nos dá uma lição de como devemos nos portar. Ah, a maturidade nós dá um acesso a uma plenitude única… De um limpar de coisas que não nos pertence – mais -, e de vivenciar só aquilo que nos cai bem. Sim, o mundo precisa de exemplos, onde pessoas maduras mostrem o que realmente importa.

Que as pessoas que entendem e, vive- plenamente – no seu tempo, mostre para os jovens, que o envelhecer não é o fim da linha, mas sim a ‘carta de alforria’ para uma liberdade verdadeira, de sermos donos da nossa vida, com uma inteligência emocional linda, e de um conhecimento tão pleno de nós mesmos, onde o respeito pelos outros seja – por osmose – mútuo. Sim, somos nós – pelo nosso caminhar – que mostraremos aos outros, que a empatia não é algo que ‘aprendemos’ e sim, é uma descoberta ao olharmos para nós, e nos darmos conta, que todos somos minorias, em partes diferentes, dessa vida. Isso requer maturidade, coisa que nem todos estão dispostos a ‘pagar o preço.

Nurya Ribeiro

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