Este artigo propõe uma reinterpretação do conceito de efeito comitiva (entourage effect), a partir de uma abordagem fisiológica, farmacológica e simbólica do Sistema Endocanabinoide humano (SEC). Por meio de pesquisa bibliográfica, qualitativa e interpretativa, foram analisadas 68 publicações científicas, das quais 27 foram selecionadas por relevância metodológica e clareza conceitual. A análise comparativa das interações entre os principais fitocanabinoides da Cannabis spp. — Δ⁹-tetraidrocanabinol (THC), Canabidiol (CBD), Canabigerol (CBG) e Canabinol (CBN) — e os endocanabinoides Anandamida (AEA) e 2-araquidonoilglicerol (2-AG) permitiu propor uma estrutura funcional e pedagógica, que traduz a dinâmica do SEC em quatro papéis complementares. O THC é definido como o Promíscuo, ativador multissítio e análogo funcional da AEA e do 2-AG; o CBD como o Freio Homeostático, modulador da intensidade e duração dos sinais; o CBG, como o Mediador Primário, responsável pela integração periférica e imunorregulação; e o CBN, como o Pacificador, agente restaurador da homeostase e do repouso fisiológico. A investigação demonstra que o efeito comitiva não se resume à soma dos compostos, mas constitui uma rede sinérgica de cooperação bioquímica, que espelha os mecanismos endógenos de autorregulação. A combinação dos fitocanabinoides reproduz a sequência natural de ativação, modulação e resolução do SEC, evidenciando que a Cannabis spp. funcione como um modelo biomimético de homeostase, no qual a planta e o corpo operam em conjunto para restaurar o equilíbrio. Ao propor uma nomenclatura simbólica e culturalmente adaptada — Promíscuo, Freio, Mediador e Pacificador —este trabalho busca aproximar o conhecimento técnico da prática clínica e educativa, traduzindo a farmacologia canabinoide como uma ciência da harmonia e da cooperação molecular.

PALAVRAS-CHAVE:

Cannabis spp.; sistema endocanabinoide; efeito comitiva; fitocanabinoides; anandamida; homeostase.

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